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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Conversão entre Coordenadas Geográficas e UTM

Conversão entre coordenadas geográficas e UTM

O sistema de coordenadas geográficas expressa a posição de um ponto na superfície esférica do globo. Um exemplo desta coordenada são os valores -23,653492 graus de latitude e -47,235703 graus de longitude. O sistema de coordenadas UTM expressa a posição de um ponto em uma projeção plana do globo terrestre. Um exemplo desta coordenada são os valores X 271960,000 (Easting), Y 7382350,200 (Northing), Fuso 23 (Zone), Hemisfério Sul e Elipsoide WGS84 (datum).

As coordenadas podem ser convertidas de um sistema para o outro. Existem uma série de fórmulas, longas e volumosas mas não difíceis de compreender, que convertem uma coordenada do sistema de coordenadas geográficas para o sistema de coordenadas UTM e vice-versa. As fórmulas são baseadas nas propriedades do elipsoide, na geometria do elipsoide de revolução, que serve como referência no posicionamento geodésico.

Com o intuito de tornar este artigo o mais simples possível na execução da conversão, a teoria sobre a geometria do elipsoide de revolução não está demonstrada, muito menos a origem das fórmulas. Ainda, este artigo não trata da coordenada de altitude.

Uma informação importante nos valores de uma coordenada no sistema UTM é sobre o elipsoide de referência. O elipsoide de referência serve para representar matematicamente a superfície terrestre, na forma de um elipsoide de revolução, e assim executar os cálculos e definir as coordenadas. Um dos elipsoides de referência, ou datum, mais usados é o WGS84 e é o que está sendo usado neste artigo. Conhecer o datum é importante porque, nos cálculos, as fórmulas adotam alguns valores (parâmetros) constantes e estes valores estão definidos no datum.

Assim, por exemplo, pela coordenada UTM apresentada no primeiro parágrafo deste artigo, vemos que o datum é o WGS84. Desta forma, nos cálculos desta coordenada são necessários os parâmetros do elipsoide WGS84. O relatório técnico número 8350.2 (3ª edição) da Agência Nacional de Informação Geoespacial, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, define os valores (parâmetros) constantes do elipsoide WGS84, que são:

- Raio Equatorial (semi-eixo maior do elipsoide) em metros:



- Achatamento polar:




Destes parâmetros, derivam-se as seguintes constantes geométricas, que também são utilizadas nos cálculos:

- Raio Polar (semi-eixo menor do elipsoide) em metros:



- Primeira Excentricidade:



- Primeira Excentricidade ao Quadrado:



- Segunda Excentricidade:



- Segunda Excentricidade ao Quadrado:




Outro detalhe é que os graus de latitude e longitude, nestes cálculos, são usados em notação decimal. Se estiverem em notação sexagesimal, o artigo "Conversão de grau decimal e sexagesimal" (http://dan-scientia.blogspot.com.br/2012/12/conversao-de-grau-decimal-e-sexagesimal.html) pode ser útil.

Ainda em relação a latitude e longitude, além dos valores em graus decimais também são necessários os valores em radianos. A conversão de graus decimais para radianos é feita com o uso das fórmulas a seguir. Neste artigo, a latitude e a longitude em graus decimais estão representadas respectivamente por "lat" e "long", e em radianos estão representadas respectivamente pelas letras gregas phi "φ" e lambda "λ".






Mais alguns valores são utilizados nas fórmulas dos cálculos:

A latitude de origem, que no UTM padrão é zero.




O fator de escala no meridiano central do fuso, para garantir um modelo mais favorável de deformação em escala ao longo do fuso.




Os valores de falso norte, que será adotado um ou outro dependendo da posição, se está no hemisfério norte ou sul, e o valor para o falso leste, sendo o valor do meridiano central do fuso. Estes valores são adotados para evitar números negativos. Os graus em notação decimal são indicados com o sinal - (negativo) quando na latitude sul (hemisfério sul) ou na longitude oeste.






Conversão de coordenada geográfica para coordenada UTM

Nesta conversão, iremos obter os valores de Easting (x), Northing (y) e o fuso, a partir da coordenada geográfica, utilizando o datum WGS84.

O fuso UTM (zone) é dado pela fórmula:




E o meridiano central do fuso, que não é um item da coordenada mas será usado nos cálculos de ambas as conversões, é dado pela fórmula:




Na obtenção dos valores de Easting e Northing começam os cálculos pesados. As fórmulas para o cálculo das coordenadas Easting e Northing são compostas de diversos termos. Para que as fórmulas não fiquem extremamente extensas, podemos resolver estes termos realizando cálculos intermediários.

O cálculo de M, comprimento do arco de meridiano, que é a distância vertical ao longo da superfície terrestre partindo do Equador até o ponto, é feito com as fórmulas (séries) a seguir. A latitude está em radianos.




Outros cálculos intermediários devem ser feitos, também relacionados as propriedades do elipsoide, como o raio da curvatura na primeira vertical ou grande normal (N).




Por fim, as fórmulas para obtenção dos valores em metros de Easting (x) e Northing (y). Os valores obtidos nos cálculos intermediários devem ser substituídos nas fórmulas a seguir.






Na anotação desta coordenada deve-se, além dos valores de x, y e fuso, incluir o hemisfério e o datum.


Conversão de coordenada UTM para coordenada geográfica

Nesta conversão, iremos obter os valores de latitude e longitude, a partir da coordenada UTM (x, y e fuso), utilizando o datum WGS84. Alguns valores utilizados serão os mesmos da conversão inversa, incluindo as constantes geométricas, a latitude de origem e o fator de escala no meridiano central do fuso.

As fórmulas para o cálculo das coordenadas geográficas também são compostas de diversos termos. Assim, da mesma forma, para que as fórmulas não fiquem extremamente extensas, podemos resolver estes termos realizando cálculos intermediários.

O cálculo de M, comprimento do arco de meridiano, que é a distância vertical ao longo da superfície terrestre partindo do Equador até o ponto, é feito com a fórmula a seguir.




O cálculo da "footprint latitude", que é a latitude do ponto no meridiano central do fuso que possui a mesma latitude, ou comprimento do arco de meridiano, que o ponto que está sendo convertido.




E mais estes termos intermediários, calculados para "footprint latitude".




Finalmente, as fórmulas para obtenção dos valores da latitude (φ) e longitude (λ). Os valores obtidos nos cálculos intermediários devem ser substituídos nas fórmulas a seguir.






A notação decimal destas coordenadas são obtidas com as fórmulas a seguir.






A conversão entre coordenadas geográficas e UTM não é tão complicada mas requer muitos cálculos. Um software matemático ou uma planilha eletrônica ajuda na velocidade de todos os cálculos, além do mais, já existem muitos sites e aplicativos que fazem estas conversões. O propósito deste artigo é somente mostrar as fórmulas, de forma simplificada pois algumas são séries.

Para mais informações sobre o UTM, leia o artigo "O Sistema de Coordenadas UTM" (http://dan-scientia.blogspot.com.br/2013/04/o-sistema-de-coordenadas-utm.html).

Bibliografia recomendada:

National Imagery and Mapping Agency Technical Report 8350.2, Department of Defense World Geodetic System 1984, Its Definition and Relationships with Local Geodetic Systems, Third Edition, January 2000.

SNYDER, J.P., Map Projections A Working Manual, U.S. Geological Survey Professional Paper 1395, Supersedes USGS Bulletin 1532, United States Government Printing Office, Washington, 1987.

Geoprocessamento

GEOPROCESSAMENTO: CONCEITO E PRÁTICA

RESUMO 
Este  trabalho  consiste  em  esclarecimentos  relativos ao  Geoprocessamento  enquanto 
ferramenta de trabalho útil à resolução de questõesque têm na dimensão espacial um 
fator fundamental. Imenso interesse há em suas aplicações práticas, desconsiderando-se, 
por vezes, noções conceituais claras e  muitas vezesessenciais. Esclarecer conceitos é 
um meio de melhorar o desejado trabalho prático. 
Palavras-chave:Geoprocessamento, conceito e trabalho. 
COUTO, Leandro C. O.

CONCEITOS E DEFINIÇÕES 
A  obtenção  de  informações  sobre  a  distribuição  geográfica  de  fenômenos  e  objetos  é 
parte importante das atividades de organização da sociedade. Antes contidas em mapas 
e documentos em papel impresso, o desenvolvimento da Informática na segunda metade 
do  século  XX  possibilitou  armazenar  e  representar  tais  informações  em  ambiente 
computacional, culminando no advento da prática do Geoprocessamento, tido como: 
“um ramo do processamento de dados que opera transformações nos 
dados  contidos  em  uma  base  de  dados  referenciada  territorialmente 
(geocodificada), usando recursos analíticos, gráficos e lógicos, para a 
obtenção e apresentação das transformações desejadas”. 
(XAVIER-DA-SILVA. 1992, p. 48 apudMOURA, 2003, p. 9)

Segundo  Moura  (2003)

,  a  palavra  Geoprocessamento  é  o  hibridismo  do  termo  grego 
gew (Terra)  com  o  termo  latino  processus (progresso,  “andar  avante”),  significando 
implantar um  processoque traga um  progresso, um andar avante, na representação da 
superfície da Terra. 

Adaptado do Trabalho de Conclusão de Curso da especialização em Geoprocessamento do Centro 
Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH (2009). 

Geógrafo. leandro.cosme@gmail.com. 
Reúnem-se  hardware,  software,  base  de  dados,  metodologias  e  operador,  que 
analogicamente correspondem às ferramentas materiais e virtuais de trabalho, à matériaprima, às técnicas do ofício e ao trabalhador. Com  os componentes técnicos de suporte 
material  (hardware)  e  os  programas  de  manipulação  de  dados  no  suporte  lógico 
(software),  trabalhar  com  Geoprocessamento  significa  utilizar  computadores  como 
instrumentos de manuseio de dados para representação digital do espaço geográfico. 
O  conjunto  de  dados  cujo  significado  contém  associações  ou  relações  de 
natureza  espacial  formam  uma  informação  geográfica  (TEXEIRA  et  al,  1992  apud
ROCHA,  2000)
,  dispostas  em  planilhas  alfanuméricas,  matrizes  e  representações 
gráficas  vetoriais.  Para  que  essas  informações  sejam  submetidas  ao  processamento 
computacional, a cada tipo de informação é associado um valor numa escala de medida 
ou  referência,  o  que  insere  a  representação  dos  fenômenos  geográficos  na  lógica  dos 
sistemas de informação. São exemplos de usos do Geoprocessamento: 
• a determinação de aptidão agrícola: com os mapas de solo, de declividade e de 
precipitação de determinada região submetidos a umaescala de medida de qualidade, o 
cálculo da média  ponderadaentre o tipo de solo, o valor da declividade e a quantidade 
de precipitação média mensal indica como boa, médiaou ruim a aptidão agrícola das 
porções dessa região; 
• a indicação de susceptibilidade à urbanização: a inclinação do relevo conjugada 
ao uso e à ocupação do solo permite a definição de áreas vulneráveis à expansão urbana, 
caracterizadas  por  relevo  de  baixa  inclinação  e  próximas  a  áreas  já  ocupadas 
(FLORENZANO, 2002); 
 • a definição da taxa de expansão urbana: delimitação e cálculo do tamanho da 
mancha  urbana  identificada  em  imagens  de  uma  mesma  área  datadas  sucessivamente 
(FLORENZANO, 2002). 
 Várias são as Ciências que se beneficiam de seus resultados, como a Agronomia 
e  o  Urbanismo.  Transpondo  limites  científicos  disciplinares  através  dos  trabalhos  de 
localização dos fenômenos e equacionamento e esclarecimento das condições espaciais, 
o Geoprocessamento é: 
“uma  tecnologia  transdisciplinar,  que,  através  da  axiomática  da 
localização e do processamento de dados geográficos, integra várias 
disciplinas,  equipamentos,  programas,  processos,  entidades,  dados, 
metodologias  e  pessoas  para  coleta,  tratamento,  análise  e 
apresentação  de  informações  associadas  a  mapas  digitais 
georreferenciados.” 
(ROCHA, 2002, p.210). 
TECNOLOGIAS DO GEOPROCESSAMENTO 
Geoprocessamento  é  uma  tecnologia  formada  pela  confluência  de  outras 
tecnologias, a saber: 
 • Sistema de Posicionamento Global (GPS); 
 • Sensoriamento Remoto; 
 • Processamento Digital de Imagens (PDI); 
• Cartografia Digital; 
 • Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados (SGBD);
 • Sistemas de Informações Geográficas (SIG). 
Cada  uma  possui  características  que  as  singularizam,  sendo,  ainda,  agrupadas 
entre as que permitem a aquisição de dados (Sensoriamento Remoto, Cartografia Digital 
e GPS), as que permitem a organização, o  gerenciamento e a apresentação dos dados 
(SGBD, Cartografia Digital e SIG) e as que permitemo processamento dos dados (PDI, 
SGBD  e  SIG).  Algumas  se  enquadram  em  mais  de  um  grupo  devido  às  várias 
possibilidades de trabalho que permitem. Porém, todas convergem no SIG. 
AVANÇOS NO CONHECIMENTO 
O Geoprocessamento é um conjunto de atividades de trabalho para o avanço de 
conhecimento  através  da  manipulação  digital  de  informações  espaciais  conforme  um 
sistema de coordenadas de localização definido. Seus resultados servem sempre a algum 
propósito, como no  Mapa de Áreas Indicadas para Aterro Sanitário(ROCHA, BRITO 
FILHO E XAVIER-DA-SILVA, 2004)
, no mapa  Área de risco de enchentes pluviais
(ALCÂNTARA  E  ZEILHOFER,  2006)
 e  no  método  para  determinação  espacial  de 
potenciais  Áreas  de  Preservação  Permanentes  (APP’s) em  topos  de  morro  (HOTT, 
GUIMARÃES  E  MIRANDA,  2004)
,  mostrando-se,  por  essa  condição,  como  uma 
ferramenta de trabalho com implicações políticas e sociais. 
A exemplo dos artigos citados, um trabalho de Geoprocessamento oferece dois 
tipos de contribuição: uma específica de estudo de  caso, com o resultado atendendo a 
demanda  determinada  (enfatizada  nos  dois  primeiros  artigos),  e  outra  metodológica  e 
técnica  (enfatizada  no  terceiro  artigo).  Ainda  como demonstram  estes  artigos,  o 
Geoprocessamento é usualmente realizado por mais deuma pessoa, sendo a equipe de 
trabalho  composta  por  profissionais  de  diferentes  áreas  do  saber  científico.  Isso  se 
justifica  em  parte  pela  quantidade  de  dados  a  ser  processada  e  pela  quantidade  de 
tarefas,  etapas  e  procedimentos  a  serem  metodicamente  seguidos,  porém,  o  principal 
motivo  da  combinação  de  diferentes  profissionais  está  no  uso  ferramental  em 
abordagens interdisciplinares. 
Ao  mesmo  tempo  em  que  demanda  a  articulação  de  diferentes  conhecimentos 
científicos, no adequado processamento digital das  informações espaciais pertinentes à 
solução  da  questão-problema  proposta,  também  a  sua  oferta  é  a  de  um  produto 
interdisciplinar, a ser utilizado como base para a tomada de decisões. 
MOURA,  A.  C.  M.  Geoprocessamento  na  gestão  e  planejamento  urbano.  Belo  Horizonte:  Ed.  da
Autora, 2003.
 MOURA, 2003. Idem.
ROCHA, C. H. B.  Geoprocessamento: Tecnologia Transdiciplinar. Juiz de Fora, MG: Ed. Do Autor,
2000.
FLORENZANO,  T.  G.  Imagens  de  satélite  para  estudos  ambientais.  São  Paulo:  Oficina  de  Textos,
2002.
 FLORENZANO, 2002. Idem.
 ROCHA, 2000. Idem.
ROCHA, C. H. B.; BRITO FILHO, L. F. de; e XAVIER-DA-SILVA, J. Geoprocessamento Aplicado à
Seleção  de  Locais  para  Implantação  de  Aterros  Sanitários.  In:  SILVA,  J.  X.  da;  e   ZAIDAN,  R.  T.
(Orgs).  Geoprocessamento e Análise Ambiental: Aplicações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. Pp.
259-299.
ALCÂNTARA, L. H.; e ZEILHOFER, P. Aplicação de técnicas de Geoprocessamento para avaliação
de enchentes urbanas: estudo de caso – Cáceres, MT. Anais 1º Simpósio de Geotecnologias no Pantanal:
Campo Grande, Brasil. 11-15 de novembro de 2006. Embrapa Informática Agropecuária/INPE, pp.18-27.
HOTT, M. C.; GUIMARÃES, M.; e MIRANDA, E. E. de.  Método para determinação automática de
Áreas  de  Preservação  Permanente  em  topo  de  morros  para  o  Estado  de  São  Paulo,  com  base  em
Geoprocessamento. Campinas / SP: Embrapa Monitoramento por Satélite, 2004.

Mapas para Slides

Para quem não tem tempo para ficar procurando na net e ficar escaneando livros, coloquei ai alguns mapas de GEOGRAFIA DO BRASIL , muito bons é só clicar e baixar